O QUE TE ABASTECE?

“Hoje não consegui nem almoçar”. “Não me sobra tempo para fazer exercício”. “Com filhos pequenos, que horas eu posso parar?”. Frases como essas não só se tornaram habituais aos nossos ouvidos como, no fundo, ainda guardam um certo valor. Estamos imersos numa sociedade que valoriza o excesso, a velocidade, o ilimitado.


Mas há consequências, quando se dirige a própria vida com o tanque de combustível sempre perto do limite. Frequentemente, entra-se num estado de tensão e de desgaste que não passam nem com horas e horas de sono. Muitas vezes, acompanhado de uma sensação constante de culpa.


Ambos estão ligados à falta de autopermissão.


A agenda segue cheia e me culpo porque as tarefas estão malfeitas, ou porque não estou dando conta, ou ainda, porque tantos afazeres não me deixam passar tempo suficiente com as pessoas que amo. Mas sigo na mesma toada. Não posso descansar. E, para dizer a verdade, nem sei ao certo o que me faria retomar o vigor, a alegria e o encantamento de quem pega a estrada rumo a um destino muito aguardado.


Na dinâmica de seguir sempre no piloto automático, cumprindo o que é esperado de mim, perco a capacidade de saber o que me reabastece de verdade, a ponto de conseguir enfrentar uma longa jornada, sem precisar fazer paradas e me perguntar: “O que eu estou fazendo aqui mesmo?”.


Os consultórios de coachings e terapeutas cheios de pessoas na faixa dos 40 anos perdidas e estressadas, perguntando-se qual o seu propósito, são um sintoma de que nos desconectamos do que, de fato, faz sentido para cada um de nós.


Para cuidar dessas sensações de desconexão e esgotamento, é fundamental se permitir abrir algum espaço – nem que seja durante o banho ou no trajeto até o trabalho – para refletir: “De tudo o que estou fazendo, o que é essencial para mim? Estou conseguindo dedicar tempo para as coisas que considero muito importantes?”.


Do contrário, a tendência é seguir colocando energia no que não faz sentido e atendendo a voz da culpa até que essa combinação pronta para dar defeito nos obrigada a parar – eventualmente, no meio do nada e sem saber onde há um posto de combustível que nos atenda.


Antes que isso aconteça, que tal você mesmo escolher as suas pausas e mapear o que te abastece?

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